sobras

sobra aqui, sobra ali
sobra lá, sobra aculá
pra todos os lados
onde derramar o caldo?

o pensamento e a palavra

semelhantes, os motivos
longos, os caminhos
os atalhos confusos.
muitas tentativas
poucas conquistas
num salão de estudantina.
de tantos que eram
de tantas que eram
perderem-se na dança
ele e ela.

era apenas um guarda chuva...

a chuva chegou e eu saí, branda, eu e a chuva. pra lá e pra cá, íamos até encontrar o abrigo, eu e meu guada-chuva. chegamos, susto à primeira vista, tudo estava bem diferente. dúvida, estou no lugar certo? fui convencida que sim, aproveitá-lo-ei, então. guardado ali, embaixo da pia, ficou o meu guarda-chuva. a chuva que era branda virou tempestade junto comigo, respirei pedindo calma, e ela devagar devastou, molhou, até que acabou. o tempo passou e eu já podia ir embora e foi o que fiz, porém, embaixo da pia ficou o meu guarda chuva, sem eu perceber. me lembrei quando já estava longe, e agora? busco outro dia, pensei. mas talvez pela falta de necessidade daquele momento, que ja fazia sol, não consegui tê-lo de volta. mas tudo bem, era apenas um guarda-chuva...

e mais uma vez ela se refugiou no cinema...

chegavam horas em que ela não queria mais procurar nem achar, estava cansada e desiludida. o que ela queria parecia impossível, não entendia, porque simples parecia. chegava a pensar que no mundo só ela procurava por isso, como se seguisse contra o fluxo. faltava-lhe força e ânimo. por ser mulher, muitas vezes se iludia e alimentava suas fantasias, aproveitando sem pudores ou jogos de guerra, paz ela queria. facilmente se envolvia, pra ela era simples, fluia, e se fluia era bom, não precisava de freios. nesses momentos não se arrependia das ilusões, mas saudade também não sentia, porque estava agradecida. não era culpa sua, ela sabia, pois tentava sempre, mas nesses momentos, desistia.

espelho

de frente pra você
olhando e tentando ver
mas quando está só eu e você
me poupe de ter que dizer
não precisa esconder