Sentinela

Ninguém me pediu nada
eu que subi no monte
e hasteei minha bandeira de guardiã
desde então travo lutas e trincheiras
tendo a espada em minhas mãos

muitas batalhas surgiram
descanso não há mais não
sentinela dos ventos
ganhei de presente um furacão

que me joga céu abaixo céu acima
e faz de mim um balão
responsabilidade é liberdade
de me ver assim
em suas mãos.

Um pé de fruta

Falta de sono estimulada por um buraco no peito. Meu? Tenho andado em círculos viciosos mas quero sair deste redemoinho. Encontrar esquinas e viradas de destino. Folhas ao vento estão tirando meu sono. E eu gosto muito de dormir. Meu peito arde feito sensação de frescor de eucalipto. Tatuagem ocupando um espaço vazio. Azul, rosa e roxo estimulam meu peito vazio. E neste espelho que me reconheço não existe espaço para meus antigos clichês. Porque de maneira profunda eu quero escolher. A cor da blusa, o perfume e o acontecer. Ventania não embala mais meu verão. Os galhos que dançam são meus impulsos. Eu sou uma árvore bonita. Um pé de fruta. 

Um buraco no peito

Uma imagem me intrigou:
aquele buraco em seu peito,
como vazio ficou?

Bem aqui perto de mim.

Onde o mar não serenou.

Esta imagem me intrigou.

Assim

Nunca serei
E isso é triste pra caramba

Meus medos

Bebi água pra ver se brotavam palavras
E os suspiros foram tão fundo que engoli desejos
Agora bocejo ao encontro do meu peito
Onde enraízam teus medos