Fechadura

Nunca quis grandiosidades
O pequeno carinho
Traz meu regozijo
As pequenas margaridas
É que brilham pra mim

Aluado

Tu te perdes entre estrelas
e refletes brilho interior
instantes estopins
valentia indolor

Tu te achegas
quando dormes
carinho preguiça
peito acolhedor

Teu querer
me descola do chão
ilumina, faz clarão
revela meus traços de mulher

Ilusão que desconheço:
destino promissor
maritacas em festa
fluir com frescor

Os caminhos que existem
eu não posso afirmar
são ventos, raízes
brotam no luar

Esconderijo
quando o sol cega
desatino, paranoia
construir nosso lugar

Cabeças aluadas
emoções em vapor
cacheados cafunés
inspiram toda cor

Barravento

Flecha no ar
rasga massa de opressão
liberta ritmo coragem
de individuação

Lança risca estoura
redoma de gás paralizante
potencia de bagunça
canta grita levanta
poeira do chão

Gira redemoinho
junta água fogo luz
a grande escola roda
palmas movimentam
ponto cria vento

Tudo é muito lindo até que

Como marionetes reproduzimos
O que não imaginávamos
E mesmo assim existia
Dentro de nós
É relação de dois
Duas vértices
Quase vórtices
Se preferes ver assim
Não cabe em vasos
E extrapola o respirar
Faltando na mesma
Medida que pulsa forte
Sem chão pés falham
Mãos não se encontram
E resta o lamento
Vazio de oprimir
E coragem pra redimir.

Afaste-se de quem te rouba a voz

das intenções que aspiram liberdade
e interrompem ações

das ideias deslumbrantes
e suas correntes de servidão

da ordem que esmaga sensações
e mantém sinais de separação

dos caminhos muito claros
onde o sim é convenção

liberdade às mãos