Ontem

Extrapolei o fluxo do céu
e experimentei o que não era agradável.

Na cadência torta do não prosseguir.
Sei lá. Amanhã tenho que trabalhar.

Cantoria

Paro o tempo
sou bem te vi

Me engrandeço com o passar dos segundos
dilato sofreguidão da contramão
quando subo furacão

Ao planar sou brisa
expandida de ausência
nuvem em formação

Pra descer tempestade
extrapolo a atmosfera
e caio feito pena

Me perco no contar das idas e vindas
pela tentativa corajosa de ser prosa
onde tudo é sempre poesia.

Trilha partida

Sem chão
Não é possível união

Caminhos do desprazer, do desamor
Final de toda cor

Não há saudade
Bate forte um peito que arde
Na contramão.

É caminho sem volta.

Poesia contemporânea

As palavras ditas nas ruas
conversas dizidas
nas poesias, canções.

Tamo ae com as coisa
Por que você não coloca pontuação nas frases?

Estações do giro que a terra dá
noite sem lua
promessa de uma nova era
a maré muda
é tempo de regar ideias

O sorriso aberto
por uma declaração
de afeto

Como um extraterrestre
você fala com conhecimento
mas nos conhecemos ontem

Processos

Talvez soubesse
Mas não quisesse
Subverter processos
E seus fins estabelecidos.

Se quisesse
Talvez tivesse
- Convencimentos!
De que pudesse
Caso houvesse.

Estabelecida nostalgia
Como queixa contínua
Em folhas sem linhas.

Teimava valentia
Com bico tristonho
Escondido entrelinhas.

Era um bobo
Um tolo
Um conformado.

Era um bolo
De côco
Um bombucado.

Eu poderia ceder
Me desmanchar
Me desfazer
Mas nasci em tempos
- De estrelas no espaço!
E não ouso
Baixar a cabeça ou a voz
É luta nas ruas e nos lençóis.