Afaste-se de quem te rouba a voz

das intenções que aspiram liberdade
e interrompem ações

das ideias deslumbrantes
e suas correntes de servidão

da ordem que esmaga sensações
e mantém sinais de separação

dos caminhos muito claros
onde o sim é convenção

liberdade às mãos

Mareia

Pus meu casco no mar
ousei escalar sete ondas
- grande dádivas espumantes!

Contornei rochas duras
esfreguei musgos parasitas
arranquei ouriços dos pés

Transformei em asas
as cordas amarras
e dropei o mais alto tubo
com a menor prancha do mundo
pois sou tudo
o que posso ser

Na beira
recebo beijos nos pés
tendo o céu estrelado
cobrindo minha eternidade

Ventania

A poesia me levou pras praças
E balançou meus cabelos

Meias voltas eternas

Eu me pergunto
e não consigo responder
o por que de tanta cerimônia
quando o pisar em ovos não faz sentido

Deixo um amigo na esquina
pego carona com a amiga amante
e regresso a minha casa
sozinha ao encontro de um simples miado

Meias voltas eternas
num caminho percurso
calculado e comprovado
tendo sempre um banco ao lado vago
e o sorriso amarelo
de um trabalho seguinte
corrente pesada
de quem não se atrapalha
mas faz suspirar
um horizonte
aguerrido

Vivo em trilhos
movidos a fumaça
dissipada em dias nublados

Frios martirios
da consciência
sincera em percurso
solidão da mulher que ousa
ser filha solta
das mãos que amedrontam

Tropeço
carrego caixões
espero sem esperança
a alvorada de um novo dia
minhalma cedente de sentir
arrepios
perdidos por ai

Ao ver ausência de impulso
me pergunto onde é que está
aquele rompante
roubado entre tantos por vir

Há muito tempo
sobram ventos
incontroláveis de senso

(r)emoções

Pingos de chuva lavam
minhas janelas abertas,
molham o sofá e a cama,
amansam poeiras no chão,
embalam meus mergulhos
cinestésicos e afogam
remotas lembranças.

(Sequências repetidas em
inconscientes associações
inconsequentes)

Sei pra onde não quero ir,
mais uma vez.
E tenho pistas do tamanho
de minhalma a explodir,
dentro do que construí
até aqui.

Minha porta está aberta
pra sinceros impulsos de amor,
mas tratores não são bem vindos.