Fruta madura

Caminhávamos com zelo
Pelo valioso caminho, pele
Respeito e impasse, ação.

Desapego redentor e benção-dor
As flores colorem mesmo murchas.

Desabrochar martírios, não
Existe outra razão pra podar e colher
Sentimentos não são assim
Faça-os crescer.

Atenção coração, o zelo é irmão
E sabe como também os bebês
Que não passa do chão.

Abre e cava, está aí, podes crer
Você consegue se deixar
Florescer, ser antes de ter.

Pele

De frente mirei sobre-------passando os olhos refletidos
além buscava o que ainda não compreendia
não via Dalí, porém comporia aquele quadro.


A tinta escorria guiada por sinos, assovios da mata:
verde malta arrancada no romper das unhas!
suada pelugem enraizada, brotada do olhar.


Nova marca de água, meus chakras escancarados
caneta riscada excedida de linhas óbvias
um brilho pena-------folha tão meu quanto seu.

Silencia?

um chiado gritado
do alto cantado...


em terras vis

vive bem quem é surdo
e tem a língua presa.

Eureca

E a questão agora é encarar-se como o seu sonho realizando-se em si mesma.

Bom dia!

Com os peitos na mesa
encarei aquele homem
escondido na altivez velhaca
que carregam os conformados.

Indaguei com ousadia
sua postura endurecida
parecida a troféus inúteis
exibidos em prateleiras.

Confrontei seus versos sacis
com a paranóia criada
a partir de homônimos
correndo de dentro de mim.

Busquei em seus bolsos
alguma poeira levantada
que me fizesse acreditar
que ele tinha tentado sair dalí.

Estendi minha mão esquerda
estiquei a manga lateral direita
e propuz uma trégua vermelha
pra que brotasse a flor.

Já que o tempo passa...
E a mão esticada dói...

Decidi me levantar
e apliquei a última cartada
sem seu mísero consentimento
explodi meu gozo na sua cara apática
embalado por ecos
de cantos vindos de longe.