Sofrida mania

Perdeu os óculos
em meio aos sonhos
racionalizados pela mão
que tudo lê.

Guardou as bandeiras e também os cartazes,
projeções do nunca - sem flor, frutos, direitos
(sentimento desnecessário e indigno de calor).

Esquentou os pães e os dedos
no sempre rigoroso inverno
e vive a lembrar da paz
que um dia roubou.

Um café, um cafuné

Imaginar o que é
viver como der
sem sentido sentir.

O amor é carnal

Pra te contradizer
Eu fiz uma canção
Com formas arredondadas
E pontas agudas

Paradoxos da insensatez
Que é pensar
Te perder algum dia

Como a vida é dor
E a falta de sexo dos anjos
É mentira.

Cora Coralina

"Eu sou aquela mulher
a quem o tempo muito ensinou.
Ensinou a amar a vida
e não desistir da luta,
recomeçar na derrota,
renunciar a palavras
e pensamentos negativos.
Acreditar nos valores humanos
e ser otimista.
Aprendi que mais vale lutar
do que recolher tudo fácil.
Antes acreditar do que duvidar"

"Venho do século passado e trago comigo todas as idades"

De pé a pé

Onde e porque eu não sei
tantas coisas
barulhos, conversas
ruas tortas, calles torcidas
entrecorte

Já não estou lá
e aqui já não é mais aqui
veias mortas
pé que não pára
pé que que não escapa
linhas curtas
curvas certas
chão, imensidão