O amor é carnal

Pra te contradizer
Eu fiz uma canção
Com formas arredondadas
E pontas agudas

Paradoxos da insensatez
Que é pensar
Te perder algum dia

Como a vida é dor
E a falta de sexo dos anjos
É mentira.

Cora Coralina

"Eu sou aquela mulher
a quem o tempo muito ensinou.
Ensinou a amar a vida
e não desistir da luta,
recomeçar na derrota,
renunciar a palavras
e pensamentos negativos.
Acreditar nos valores humanos
e ser otimista.
Aprendi que mais vale lutar
do que recolher tudo fácil.
Antes acreditar do que duvidar"

"Venho do século passado e trago comigo todas as idades"

De pé a pé

Onde e porque eu não sei
tantas coisas
barulhos, conversas
ruas tortas, calles torcidas
entrecorte

Já não estou lá
e aqui já não é mais aqui
veias mortas
pé que não pára
pé que que não escapa
linhas curtas
curvas certas
chão, imensidão

Mudernidade

Uma pimenta com gosto áspero
nem óculos protege
tal gosto trágico

Desconcertante imagem arregalada
entre monstros e francesas
doçura em ponto de embalo

Malícia e quarentena
sinapses moleculares
rápida explosão online

Adaptações imprecionantes
entre riscos e rabiscos
num carro envenenado

Sorrisos livres e colantes beijos
mania de sim entre sorvetes
ensolarados
enluarados
e rebolados.

Num sopro

Embala a saia igual cirandeira
Curva as costas e quase fraqueja
Aspira a fumaça e logo esbraveja
Encontra um osso e quebra a cabeça
Rasteja no chão feito uma lesma.

Não sabe
Não sabe

Versos malvados e inchados joelhos
Mentira escancarada de vida inventada
É noite acordada é dia embolado
Resposta falseada verdade aceita
Baila baila e depois fala.

Não sabe
Não sabe
Vítima
Do conto poema.