eu sinto saudade de um tempo que não vivi, de um cheiro que não cheirei e de um toque que não dei. vergonha estranha de não conseguir realizar o que realmente foi vivido por mim. duras regras da tradução entre as linguagens, entre os tempos. postura otimista diante desses fatos e outros tratos: caminho certo pra criação empírica. onde me levará essa retidão? a quem? aquela língua solta e atrevida embolada entre meus miolos ou aquela indecisa e sedutora carecida de atitude entre meus dedos? eu refém, matéria prima disso tudo, sentirei qual carícia leve a lembrança de tempos esfumaçados, vividos por outros mundos. traços curvilínios interessam mais. com carinhos meus.
tal qual
ele se entrega muito mais que eu
comunica-se agressivamente
entre meus impulsos
empossada emoção evapora
ventania passa rente
e não sente
inconsequente emoção extrapola
ventania passa rente
e pressente
exala seu odor intransigente
reconhecido capuz da vaidade
culhões obedientes
meu desejo tímido carece
de sabor
inconsciente
é
ele se entregou muito mais que eu
comunicou-se agressivamente
entre meus impulsos...
comunica-se agressivamente
entre meus impulsos
empossada emoção evapora
ventania passa rente
e não sente
inconsequente emoção extrapola
ventania passa rente
e pressente
exala seu odor intransigente
reconhecido capuz da vaidade
culhões obedientes
meu desejo tímido carece
de sabor
inconsciente
é
ele se entregou muito mais que eu
comunicou-se agressivamente
entre meus impulsos...
hilda hilst
“o tempo e sua fome.
volúpia e esquecimento
sobre os arcos da vida.
rigor sobre o nosso momento.
o tempo e sua mandíbula.
musgo e furor
sobre os nossos altares.
um dia, geometrias de luz.
mais dia nada somos.
tempo e humildade.
nossos nomes. carne.
devora-me, meu ódio-amor,
sob o clarão cruel das despedidas.”
volúpia e esquecimento
sobre os arcos da vida.
rigor sobre o nosso momento.
o tempo e sua mandíbula.
musgo e furor
sobre os nossos altares.
um dia, geometrias de luz.
mais dia nada somos.
tempo e humildade.
nossos nomes. carne.
devora-me, meu ódio-amor,
sob o clarão cruel das despedidas.”
ainda vivo
eu durmo acordada
ele sonha de dia
eu brinco na rede
ele faz poesia
eu conto as horas
ele faz melodia
eu procuro o chão
ele tonto até guia
eu acho que vou
ele vem com bom dia
ele sonha de dia
eu brinco na rede
ele faz poesia
eu conto as horas
ele faz melodia
eu procuro o chão
ele tonto até guia
eu acho que vou
ele vem com bom dia
agora ta
e assim dividida
nem lá, nem acolá
tive que encontrar meu porto
longe de qualquer lembrança
... aqui
nem lá, nem acolá
tive que encontrar meu porto
longe de qualquer lembrança
... aqui
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