em águas profundas

em meio aos fracassos do labor
alguns poemas de amor
e tudo que eles merecem...

quase antropofagia

enquanto recorto pedacinhos seus
me engrandeço de sua alma
e assim
me retrato em ti

tudo que ela me diz
tudo que eu sei dela
que já vivi com ela
vive nela
é ela
sou eu

por nós

luxação

é fácil fechar os ouvidos
ignorar os gritos dela
que insiste
pede socorro
desfalece
enraivece

numa luta
entre o grande mar
e o rochedo
que burra dura
e faz vagarosamente
seu furo
eterno portal

meu bem

abra os olhos
abra os olhos
meu bem
é preciso ir além
a fragilidade é lembrada
por pedaços machucados
sensíveis nervos nocauteados
trincados, rasgados
bem me quer
mau me quer
escuta os sons da tempestade
os trovões de thor
as multidões cantando
as maritacas em bando
escuta e enxerga
as cores das nuvens
os brilhos ocultos
as curvas que fazem os ventos
e assim
tente compreender
qual parte te cabe
desse latifúndio.

ela só pensa

sem saber viver o eterno
brincamos de instante

de quando
já não sei
pra onde
já vou indo

me disseram:
amor nascido na sexta de carnaval
dura a vida toda...