aquele osso ainda vai ser roído e isso é doído

te quero sã e salva de tudo isso que te corroeu
e um almoço bem quentinho pra te fortalecer
muitos beijinhos de boa noite e um leite bem fresquinho
andar de mãos dadas e comprar sorvete na padaria
escutar seus passinhos arrastados pelo chão
e suas histórias tomando sol no banquinho do quintal
quero rir junto de ti das maluquices dos nossos amores
e assistir a mais linda história de herói e mocinha que já se viu
beijar suas mãos e te fazer muito carinho
e enroscar meus dedos nos seus cachinhos
mas entendo se você estiver cansada...

uma música bem triste

era disso que você falava?

é isso que eu ouço agora em tons graves e livres de qualquer ruído
engraçado como eu os vejo se concretizando em atos falhos
que previmos
sem ritmo
nem sintonia.

e não adianta
nem isso nem aquilo
e mesmo assim
aqui.

e eu nunca serei o que você sempre quis

quando foi que eu disse pra você confiar em mim?

toda aquela indiferença

com raiva de sentir
fingindo não notar a vibração
sem encarar
só disfarçar
e calar.


com vontade de não ser
de desaparecer
camuflando nas moitas
escondendo dos olhos
e não das mãos.


sem saber como voltar
pensando em uma saída
pra tal loucura
uma cura
um afago que não cale o choro preso
e muitos suspiros.


desalento
desespero
todas as dúvidas e inseguranças
até o universo conspirando contra
uma heresia
um pecado
toda a culpa.


não há perdão
nem solução
e isso tudo
é pura difamação.


ah! vilão!

ah! meu amor!

o encanto acontece no primeiro ato,
depois,
são só desencantos encantados...

escassez

nessa miséria catávamos as migalhas de algo até então abundante que se misturava aos desejos pouco entendidos. compreendidos de alguma forma entre todos aqueles vestígios encontrados nos lixos alheios. o aterro já estava completamente lotado daquilo que procurávamos insistentemente.


interditado até o encontro acontecer...


estava tudo explícito mas não podíamos citar seu nome...


talvez a saída seja atear fogo...