a hora da estrela (diálogo do filme dirigido por susana amaral com roteiro baseado no livro de clarice lispector)

"olímpico
- eu uso a palavra cafetina porque não tenho medo das palavras. você sabe o que é cafetina? você tem medo das palavras?
macabéa
- sim, tenho sim."

caio fernando abreu

"você está tão forte na sua fragilidade que inventou a mim para matar a sua sede exata. nós nos inventamos um ao outro porque éramos tudo o que precisávamos para continuar vivendo."

consulta

quando alguém está fluindo o si mesmo não pode existir, catarse
toda jornada é do nada ao nada, potencialidade pura
há certa possibilidade que a mente o iluda, preguiça
uma união com a alma gêmea interior, integral
das suas profundezas às alturas, dimensões

a noite anterior

na rua um zumzumzum se ouvia
pra cima e pra baixo os passos iam e vinham
olhos perdidos à procura varriam
a amiga se despedia e pro encontro já ía
aquele, meu nome esquecia mergulhado em outra fantasia
os vizinhos barulho faziam, numa festa de sons e muita cantoria
o calor enrubescia o rosto que sorria, respondendo um olho que mira fazia
alguns um rumo certo tinham e se não, logo, adquiriam
pois, a noite ardia
era subjetivo mas todos compreendiam
o céu fervia, a lua derretia, as estrelas cadentes
eu sentia mas não me envolvia
suando, dormia

paulo leminski

"eu

quando olho nos olhos,
sei quando uma pessoa
está por dentro
ou está por fora.
quem está por fora,
não segura.
um olhar que demora
de dentro do meu centro,
este poema me olha"